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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Confira a entrevista com Caio Machado, lutador de MMA!

O Pernambucano Caio Machado, profissional de MMA, (Artes Marciais Mistas), terá mais um combate pela frente, o lutador tem um confronto marcado para o dia 10 de fevereiro, nos Estados Unidos, quando estará de volta a um dos maiores eventos de MMA do mundo, o Legacy Fighting Championship. Caio bateu um super papo com o Panorama Esportivo PE, abrindo literalmente o seu coração e falando de assuntos surpreendentes. Confira!

Panorama: Como você se descreve?


Caio Machado: Tenho 23 anos, sou natural de Olinda, mas moro em Recife, larguei tudo na minha vida; faculdade, trabalho, abdiquei da minha juventude, deixando minha família muitas vezes, para viajar e aventurar em outros lugares, tentando a vida como lutador de MMA. Esse é o Caio Machado, aquele cara que está sempre indo à luta, galgando um sonho, que é viver do MMA, se Deus quiser e assim permitir irei conseguir realizar ainda mais esse sonho sou um cara família que luta pelo amor, realmente luto por amor, busco ser feliz na minha profissão, esse é o meu trabalho!

Panorama: Como surgiu as artes marciais na sua vida?

Caio Machado: Por volta dos meus 13 anos resolvi fazer musculação, mas na verdade não gostei muito, fiz cerca de três dias. Ao lado da sala de musculação, tinha um tatame ''massa'' gigante. O que acabou me chamando muito atenção, os atletas treinando, naquele clima. No dia seguinte, não fui malhar, fui direto para o tatame onde pedi para fazer um treino experimental, ao acabar, fiquei me sentindo muito bem, nenhuma outra modalidade esportiva havia me deixado tão realizado como o Muay Thai me deixou. 

Fiquei treinando escondido da minha família, meus pais não aceitavam, por serem leigos no assunto, não sabiam a importância que as artes marciais poderiam nos trazer em termos de doutrina e oportunidade na formação do cidadão e do próprio atleta. Até que um dia cheguei em casa com um olho roxo, foi quando meus pais descobriram que eu estava treinando Muay thai, daí então escolhi isso para minha vida, não larguei mais o muay thai e as artes marciais até os dias atuais.

Panorama: De que forma você começou a praticar o MMA e teve o
 incentivo de alguém?

Caio Machado: 
Estava treinando Muay Thai na academia, mais ou menos um mês depois que iniciei, houve um treino de sparring, o pessoal no muay thai foram ajudar os profissionais do MMA, nesse dia troquei ''porrada'' com todo mundo, porrada para valer. Imagina só um magrinho desconhecido na academia, entrou no tatame no meio de leões e saiu na mão com todos. O mestre Latuff Kazen ficou olhando e pensou ''caramba que garoto é esse?''. No mesmo momento ele disse: Cara,de hoje em diante você não paga mais academia, estou te dando uma bolsa e a partir de agora você vai treinar MMA conosco, pois você vai lutar MMA

Graças ao incentivo do Latuff Kazen e do Pedro Arruda Kazen, o Pedrinho, “A família das artes marciais” me abraçou de uma forma irreconhecível, fazendo com que me sentisse realmente em casa.

Panorama: Como foi sua primeira luta profissional?

Caio Machado: 
Disputei várias lutas, muitos campeonatos, Norte-Nordeste e pernambucano de Muay thai, campeonatos de Jiu-Jitsu. Em todos me sagrei campeão no Muay thai. Até que aos 18 anos fiz minha estreia no MMA, com um nocaute no segundo round, após um primeiro round onde trocamos muita porrada, onde estava com muita ''sede ao pote'', voltei mais calmo, fiz uma luta mais técnica com chutes e socos e acabei nocauteando, um adversário que já tinha cerca de umas cinco lutas realizadas. Depois que fiz a primeira, falei para mim mesmo, não paro por nada na minha vida e enquanto Deus me der a vida, a saúde e o dom, não irei parar.

Panorama: Qual seu cartel no MMA?

Caio Machado: 
São 10 vitórias e apenas duas derrotas. Lembrando que não perdi no Brasil, só fui derrotado em lutas fora do nosso país.

Panorama: Quais pessoas abriram as portas para você no MMA?

Caio Machado:
 A primeira porta foi aberta aqui em Pernambuco, depois que fiz a minha estreia pela Kazen, Foi o início de uma longa caminhada, onde Deus colocou anjos em minha vida para me direcionar, dar conselhos e novas oportunidades. Após a minha segunda luta de MMA, fui morar em Salvador, acabei passando meses lá, morando em academia, dormindo no tatame, quando conheci um cara que hoje é meu treinador e amigo onde  sempre que pode está aqui no Recife ,me treinando para as lutas, que é o Marcos Gondim Bahia, esse rapaz abriu as portas da casa dele para mim, morei na casa dele, esse meu primeiro anjo, que acreditou em mim. Depois fui para o Rio de Janeiro, o Pedro Arruda Kazen me deu uma oportunidade, através dela conheci o Julio Cesar, que é o mestre da GFTeam, ele gostou muito de mim, me ensinou muitas coisas.  

Acabei voltando para o Recife, e mais uma vez outro anjo apareceu em minha vida; hoje é um pai, um irmão, um parceiro, que é o Cezani Moutinho. Sabe aquela situação que Deus une duas pessoas para seguirem juntas? Foi o meu caso com Cezani, junto com o Marcos. Eles estão presentes em minha vida, o Cezani abriu novas portas no senário do MMA, e também vivenciando uma vida comigo como um pai. Nesse percurso todo, o Julio Cesar lá do Rio, me deu a oportunidade de ir para os Estados Unidos, onde conheci o James Cooper, ele foi como um pai para mim nos Estados Unidos, me deu oportunidades de lutar fora, treinos. Passei seis meses sozinho por lá, morando na academia. 

Tem duas pessoas que estão comigo desde o início, lá no princípio de tudo com os meus 14 anos, desde a minha primeira luta e nunca me largaram, trata-se de Handuilo Ferreira e  Amir Albuquerque.                                                                                                                                                                                 
Panorama: Quais as principais barreiras que você enfrentou até aqui?

Caio Machado: 
Enfrentei muitas, continuo enfrentando, ainda irei enfrentar muitas. Tem um ditado do Rock Balboa, que diz: Não importa o quanto você bata, e sim o quando você fica de joelhos apanhando, mas mesmo assim vai continuar seguindo em frente, pois a vida é cruel e ela bate na tua cara. 

Logo no início as pessoas me rotularam como um louco, até meus próprios familiares sem acreditar, dizendo: Vai estudar, deixa isso, o MMA não vai te trazer nada, foi uma barreira com muito preconceito. A segunda barreira é justamente o que sofre os esportes, por falta de incentivo e valorização, não é um esporte que muitos  querem apoiar como o futebol e etc...., mas mesmo assim, sigo em frente. Passei fome, fui enrolado por uma certa pessoa e não quis falar para minha família, assumi as responsabilidades sozinho, assim fui galgando e crescendo como homem. As oportunidades que a vida de atleta de artes marciais me trouxe, nenhuma faculdade iria me ensinar, claro, o estudo é a coisa mais importante da vida. As barreiras me fizeram ser um melhor filho, melhor amigo, hoje, um melhor marido, um melhor pai. 

Posso citar uma situação que me marcou muito, estava nos Estados Unidos quando meu pai e minha mãe depositaram um dinheiro no sábado, mas o dinheiro iria cair só na segunda ou até mesmo na terça, eu estava sem dinheiro algum. Pois bem, estava na academia neste mesmo sábado, com muita fome, e estava tendo uma aula para crianças, observei que uma mãe chegou com uma comida para o filho, o garoto comeu uma parte e não quis mais comer o resto, onde acabou jogando no lixo.  Já mentalizei ''Ali estar o meu jantar''. Assim que a academia fechou, peguei a comida no lixo e comi. Foi nesse momento que pensei o quanto era grande o meu amor pelo meu sonho, pelo MMA. Isso me fez ver que a vida é o amor, o carinho ao próximo, o respeito, dedicação, amor a cristo, dentre outras coisas. Isso me marcou muito, pois tinha tudo em casa, todo suporte dos meus pais, mas fui aventurar, esse aventurar foi a realização de um sonho, pois eu não trabalho, simplesmente acordo para me divertir. 

Panorama: Onde e como aconteceu sua primeira luta internacional?

Caio Machado: O James Cooper acompanhou minha desenvoltura nos treinos lá nos Estados Unidos, ele marcou minha primeira luta internacional para o Legacy, contra Domingo Pilarte. Uma das melhores lutas da minha vida, foram três rounds de dois guerreiros na trocação. No final conquistamos uma grande vitória.

Panorama: Quantas horas por dia você dedica para o seu treinamento?            

Caio Machado: 
Eu amo treinar, sinto muito prazer em treinar. Chego na academia, troco porrada, existe uma variação, tem dias que passo seis horas, mas depende do tipo do treinamento. Vale lembrar que o descanso também é um tipo de treino.
       
Panorama: Quais são os responsáveis pela sua preparação?            

Caio Machado: 
Na parte física tenho três: Ismael Júnior, Alexandre Lobão e Paulo Gustavo. Na parte técnica, Amir Paulo cuida do meu Jiu-Jitsu e No Gui, Handuilo cuida da parte funcional no MMA, No Gi e dá um suporte no Jiu-Jitsu. Cezani Moutinho, cuida do Muay Thai e boxe para o MMA. Marcos Gondim ele cuida da parte da minha movimentação para o Boxe. Diego Veiga cuida do King Box e Box para o MMA, junto com Cezani. Lá fora ''Estados Unidos'', James Cooper, treinador de MMA e manager internacional e Washington Luis, faixa preta que quando estou lá, ele cuida da minha parte técnica para o MMA e Jiu-Jitsu no solo. No Rio de Janeiro, o Renato Dominguez é meu Manager Sul, também é meu treinador de Jiu-Jitsu e No Gi para o MMA.  
       
Panorama:  O que muda na sua rotina quando você tem uma luta marcada?            

Caio Machado: 
Estou sempre na rotina de luta, vivo como atleta, treino e me mantenho como atleta. Na verdade, o que muda é quando temos a luta marcada e sabemos qual será o nosso adversário. Onde estudamos o jogo dele e priorizamos algum treino devido ao adversário. Basicamente é isso, tendo cuidado na alimentação para bater o peso.


Panorama: Como está a mente do Caio Machado para encarar mais uma grande batalha?            

Caio Machado: 
Estou na melhor fase da minha vida, pois o atleta não se resume só na parte técnica, ele precisa estar bem fisicamente, tecnicamente e espiritualmente. A força supera a técnica, mas não adianta ter esses dois fatores e não ter o espírito de guerreiro, o que me alimenta são as adversidades; perdas, dificuldades, dentre outros fatores. O leão está voltando para os Estados Unidos na hora certa. Tecnicamente muito bem treinado, venho de quatro vitórias consecutivas para lutadores duros. Bem na vida pessoal, tenho uma esposa maravilhosa, que é a Letícia Machado, que me deu um filho lindo e maravilhoso que é o Luca Machado, meus pais me apoiam, eles compraram meu sonho, agora eu luto pela minha família. Chegou o momento de voltar para o Legacy, onde venci, perdi, voltei para o Brasil, lutei no senário nacional para me calejar. Serei o próximo campeão no Legacy Fights, e vou lutar UFC, pois creio na promessa de Deus em minha vida.  

Panorama: Conhece seu próximo adversário? Quais os pontos positivos dele?            

Caio Machado: 
Conheço sim, irei lutar contra Cody Williams. Já assisti algumas lutas dele e aproximadamente dois anos atrás iríamos lutar, mas o Cody acabou se machucando. É um adversário duro, experiente, vem de vitórias no Legacy. Os pontos positivos dele é que o Cody não foge da luta, ele é muito versátil, vai na trocação, bota para baixo, ele se entrega de corpo e alma no combate, da mesma forma que faço, é preciso ter cuidado com a mão dele, tem uma mão pesada de direita e um cruzado de esquerda muito bom, mas nada que vá me abalar, estou muito focado.

Panorama: Defina o Caio Machado dentro do octógono.          

Caio Machado: 
Poderia responder de outra forma há alguns meses atrás, mas hoje estou mudado, luto agora por outros propósitos, valores, por outras responsabilidades.  O Caio Machado vai sempre para luta, buscando a vitória, pronto para uma oportunidade, sou versátil. Estou preparado para lutar em qualquer modalidade, evento. Tenho uma equipe muita capacitada e unida, onde retransmito tudo isso dentro do octógono.


Panorama: Qual seu maior sonho?      

Caio Machado:
 Tenho vários sonhos, desde quando entrei no MMA fui um sonhador, sonhei que iria aparecer na televisão, que iria lutar internacionalmente, que iria chegar no UFC, esses eram os meus sonhos iniciais. Mas a vida me mostrou que existe coisas com maiores valores. Hoje o meu maior sonho é ser feliz com minha família, ter paz de espírito, ter amor.  Meu maior sonho é viver do MMA.
  

Panorama: Você sempre diz a seguinte frase: Lutamos por amor. Defina o que ela significa para você?      

Caio Machado: Lutar por amor é superar as adversidades encontradas dentro e fora do octógono, é dar o seu máximo independentemente do local que você está lutando, já lutei em cassinos com toda luxúria, como também em locais simples, mas com o mesmo amor e felicidade em fazer o que amo.


Panorama: Quais as pessoas que fazem parte do seu dia a dia, que seguem ao seu lado vivendo esse sonho?

Caio Machado: Minha esposa Letícia Machado, meu filho Luca Machado, meu pai Luiz Carlos Nunes Machado, minha mãe Alda Cavalcanti, além dos meus treinadores, Cezani Moutinho, Marcos Gondim, Handuilo Ferreira, Amir Albuquerque, Jonatas Eliaquim Ratinho, Diego Veiga, Renato Dominguez, Washington Luís e James Cooper. Meus preparadores: Ismael Júnior, Alexandre Lobão e Paulo Gustavo e meu fisioterapeuta Tulio Eskinaze. Agradeço com todo carinho também aos meus parceiros Valdemar Prime, Bruno Zamboni e Thays Zamboni, Bruno Madeira, João Didier, Emerson Zarous, Wagner Santana, Geraldo Leite, Leonardo Correia.

Panorama: Deixe uma mensagem para os jovens que pensam ou até mesmo estão iniciando no mundo das artes marciais

Caio Machado: O esporte ele muda vidas, o MMA também, como mudou a minha vida, poderá mudar a deles também, mas não basta falar da boca para fora, mas com coração e alma, aí sim o esporte vai mudar a vida deles, mudar para melhor, vai proporcionar momentos que eles jamais imaginariam em passar na vida. Se apegue a Deus e não desista. No momento que você cair, lute para se levantar, pois a sua hora irá chegar, não baixe a cabeça, siga em frente!

Confira o recado do Caio Machado:


Revisão de texto - Michelly Mabel

Com informações Michell Santana - Panorama Esportivo PE

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